Mas há um campo cultural ainda subexplorado nas comunidades brasileiras:
O RPG de mesa como ferramenta social, educativa, artística e transformadora.
Este manifesto é um chamado para criar, ocupar e fortalecer espaços públicos dedicados ao RPG dentro das periferias do Rio de Janeiro e de todo o Brasil inspirando jovens, formando leitores e oferecendo alternativas reais frente aos desafios sociais.
Por que reforçamos este manifesto
O RPG é uma tecnologia social barata e poderosa. Ele une:
• narrativa coletiva
• leitura e literatura
• cooperação e convivência
• raciocínio lógico e criatividade
• protagonismo e autoestima
Eventos como o Rolé Favela Geek já provaram que:
• a periferia é um polo de inovação cultural;
• artistas e empreendedores locais precisam de visibilidade;
• o acesso transforma vidas;
• cultura é método de inclusão, não luxo.
Agora, é hora de levar o RPG de mesa para o centro dessa mudança.
Por que o RPG é estratégico nas periferias?
1. O RPG combate a evasão escolar e estimula leitura
Jovens que participam de mesas começam a ler:
• livros de regras
• contos e crônicas
• mundos de fantasia
• mapas, tabelas, fichas
• fanfics e material extra
A leitura deixa de ser obrigação escolar e vira ferramenta para imaginar além de estimular a criatividade para vida toda.
2. O RPG cria redes de proteção social, ao formar clubes, mesas e grupos, adolescentes encontram:
• amigos fora do crime
• vínculos saudáveis sociais
• espaços de escuta e fala
• adultos de referência cultural
• ambientes seguros para lazer
Mesas de RPG em praças e centros culturais ajudam a transformar território.
O RPG gera microeconomias periféricas
Um evento ou coletivo de RPG permite que moradores criem e vendam:
• livros artesanais (zines)
• aventuras autorais
• escudos, mapas, marcadores
• miniaturas recicladas
• camisetas e artes
Espaço para uma cultura livre e orgânica também é renda.
O RPG revela talentos invisíveis
A periferia já produz:
• escritores
• ilustradores/ Desenhistas
• designers
• narradores
• pedagogos naturais
• criadores de mundos
O RPG é um palco onde todo esse potencial floresce.
Referências e inspirações para construir um movimento
Além dos já citados Rolé Favela Geek, Mangateca de Cria e Perifacon, podemos olhar para:
• Biblioteca Parque (modelo de inclusão cultural e eventos acessíveis)
• Sesc e Sesi com oficinas e clubes de jogos
• Centros Culturais Municipais com atividades gratuitas
• Movimento de Literatura Marginal (Ferréz, Sérgio Vaz)
• PCU – Parada Cultural Urbana
• Coletivos de hip-hop educativo (batalhas não violentas)
• Projetos de jogos educacionais na UFRJ, UFRRJ e IFRJ
• Jogarta, Dungeon Carioca, Caravana RPG (eventos geeks acessíveis pelo Brasil)**
• Festivais de zine e arte urbana
Cada um desses movimentos demonstra que arte popular+organização comunitária = transformação social concreta. O RPG é o próximo passo natural nessa cadeia.
Como organizar um evento de RPG acessível na periferia
Aqui estão meios legais, práticos e acessíveis:
1. Onde realizar
• Praças públicas
• Vilas Olímpicas
• CEUs e CRAS
• Lonas Culturais
• Escolas públicas nos fins de semana
• Quadras comunitárias
• Sedes de associações de moradores
• Bibliotecas locais
• Salões paroquiais
• Espaços de coworking social
Muitos desses locais permitem uso gratuito mediante ofício oficial.
Documentação e apoio institucional
Para eventos comunitários sem cobrança, normalmente basta:
• Ofício de solicitação de espaço à Prefeitura, Admin. Regional ou associação local
• Termo de ciência de responsabilidade (equipamentos, limpeza, organização)
• Plantão de voluntários para organização
• Cadastro do coletivo (opcional, mas fortalece)
Para eventos maiores:
• Alvará simplificado de evento cultural
• Autorização do Corpo de Bombeiros (AVCB) se houver estrutura fixa
• Seguro de responsabilidade civil (opcional, baixo custo)
Observação: eventos educativos e culturais comunitários geralmente têm trâmites simplificados.
E se eu buscar possíveis Parcerias?
• Escolas e professores de português, história e artes
• Universidades com projetos de extensão
• Batalhas de poesia e hip-hop
• Influenciadores e podcasters de RPG
• Editoras nacionais independentes (Coisinha Verde, 101games, NozesStudio, Luz Negra, Lampião Studios, Retropunk, Chá das Cinco etc.)
• ONGs locais
• Grêmios estudantis
• Sebos e bibliotecas comunitárias
• Coletivos de artistas
• Conselhos tutelares (para suporte à juventude)
Parcerias tornam o evento sustentável e ampliam alcance.
Atividades para um evento periférico de RPG
• Mesas abertas para iniciantes
• Oficinas de criação de personagens
• Pintura de miniaturas com material reciclado
• Contação de histórias com elementos de RPG
• Workshops para formação de narradores locais
• Feira de zines e autores independentes
• Arena de micro-RPGs de 15 minutos
• Troca solidária de livros e dados
• Mutirões de leitura
• Torneio amigável de board games leves
• RPG para crianças com temas seguros e educativos
E sempre integrar arte local: grafite, rap, cosplay periférico, poesia, artesanato geek.
ESG na prática: Como o RPG contribui
Ambiental
• cenários feitos de papelão reciclado
• oficinas de artes com reaproveitamento
• decoração de baixo impacto Social
• atividades gratuitas
• inclusão de crianças em situação de vulnerabilidade
• foco em leitura, protagonismo e convivência
• ocupação segura do espaço público
Governança
• coordenação comunitária
• assembleias simples antes e depois do evento
• transparência de custos
• divisão justa de responsabilidades
É cultura com impacto real.
O Brasil precisa do RPG nas periferias
Rolê Favela Geek nos ensinou que a favela não só pode, mas deve ser protagonista da cultura geek.
Agora é hora de assumir o próximo compromisso:
Criar um movimento local de RPG comunitário.
Que cada bairro tenha:
• um clube de RPG
• uma mesa pública
• um narrador voluntário
• um evento trimestral
• um coletivo local
Que cada jovem possa imaginar outro futuro. Que cada criança possa ser herói de sua própria narrativa. Que cada praça seja território de cultura, não de medo.
Que cada comunidade mostre ao Brasil o que sempre foi: potência criativa, cultural e humana.
RPG não é fuga da realidade. É ferramenta para transformá-la, e quando a periferia joga, cria e narra, o Brasil inteiro evolui de nível.
Nenhuma favela é pequena demais para se tornar um grande reino. E nenhum jovem é pequeno demais para se tornar protagonista.

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